As Eleições 2026 no Pará escancaram, mais uma vez, o abismo entre os interesses de cúpulas religiosas e a vontade soberana das urnas. Sob o comando de lideranças que transformam templos em comitês de balcão de negócios, as principais convenções evangélicas do estado — COMIEADEPA e a Convenção de Madureira — encerraram o pleito lambendo as feridas de um fiasco retumbante.
A velha prática de reunir centenas de pastores, bater bumbo, gritar aos quatro ventos um enfático "estamos fechados" e negociar apoio político em troca de vantagens e pagamentos antecipados provou ter prazo de validade. No fim das contas, a fatura chegou: nenhum nome de peso da própria igreja conseguiu se eleger titular, escancarando a desconexão entre a cúpula e o rebanho.
O Naufrágio da COMIEADEPA
Sob a presidência do pastor Océlio Nauar, a COMIEADEPA apostou todas as fichas em candidaturas proporcionais que acabaram esbarrando na rejeição popular ou na falta de tração nas urnas.
- Federal: A aposta em Adriana Almeida rendeu 88.147 votos, uma votação expressiva, mas insuficiente para garantir uma cadeira titular na Câmara dos Deputados, terminando na suplência.
- Estadual: Na corrida à Assembleia Legislativa, Josué Paiva somou 31.054 votos, enquanto Ananias Nauar alcançou 19.661 votos. Ambos mofaram na suplência.
O Vazio Eleitoral da Convenção de Madureira
A situação da Convenção de Madureira não foi diferente e revelou um isolamento ainda mais drástico nas urnas. Alinhada ao mesmo barco governista e apostando no partido União Brasil, a convenção viu seus candidatos virarem pó na preferência do eleitorado:
- Pastor Cláudio Mariano, candidato a deputado federal, obteve minguados 7.209 votos.
- Pastor Adão Azevedo, postulante a uma vaga na Assembleia Legislativa, amargou apenas 825 votos.
O único "consolo" da cúpula de Madureira restou na segunda suplência do senador Chicão, abocanhada pelo pastor Ibanês Taveira, numa articulação de bastidor que pouco ou nada representa de vitória para a base que trabalha nas congregações.
O Recibo da Desilusão nos Bastidores
Enquanto líderes religiosos negociam vantagens financeiras e cargos de encomenda, esquecendo-se da verdadeira missão espiritual e social, o fiel na ponta demonstra que não aceita mais ser usado como massa de manobra eleitoral. As urnas de 2026 mandaram um recado duríssimo: o tempo do "estamos fechados" por conveniência acabou, deixando os negociadores da fé isolados e sem mandato.
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