Hoje, um dos capítulos mais significativos da política brasileira chega ao fim. O PSDB aquele mesmo partido que por anos dividiu o protagonismo nacional com o PT, que governou o Brasil, elegeu FHC, foi oposição aguerrida e abrigou nomes históricos como José Serra, Aécio Neves e Geraldo Alckmin anunciou oficialmente sua fusão com o Podemos. Sim, o PSDB como conhecíamos não existe mais.
A decisão não é exatamente uma surpresa. O partido vinha encolhendo a cada eleição. Perdeu espaço nas urnas, nos estados e, talvez o mais grave, perdeu identidade. Fragmentado entre diferentes alas internas e pressionado por uma nova configuração política mais polarizada, o PSDB viu suas lideranças migrando para outros partidos algumas, inclusive, para legendas que antes combatiam.
A fusão com o Podemos é um movimento estratégico, claro. É uma tentativa de sobrevivência no atual xadrez político, onde siglas de centro e centro-direita enfrentam dificuldades para manter relevância diante do bolsonarismo de um lado e do lulismo de outro. Mas também é o reconhecimento de que o projeto político que o PSDB representou liberal na economia, social democrata de berço e moderado nos costumes perdeu espaço no Brasil de hoje.
O que vem pela frente? Difícil dizer. A nova legenda resultante ainda precisa mostrar a que veio. Vai herdar a tradição tucana ou vai se reinventar por completo? Vai ser mais um entre tantos ou conseguirá formar uma alternativa concreta ao atual cenário de extremos?
Fato é: o PSDB, que tanto marcou os debates políticos desde a redemocratização, agora é história. E como toda história importante, merece ser lembrada para entendermos o que fomos, onde erramos, e quem sabe, para onde ainda podemos ir.

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