O ex-presidente Jair Bolsonaro voltou a movimentar a Avenida Paulista neste domingo (29), liderando um protesto contra seu julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), no qual é acusado de tentar reverter o resultado das eleições de 2022 por meio de uma suposta articulação golpista. O ato reuniu milhares de apoiadores e serviu como palco para mais um capítulo da polarização política que segue marcando o cenário brasileiro.
O evento foi marcado por discursos inflamados, críticas ao Judiciário e forte apelo à narrativa de perseguição política. Bolsonaro, que subiu ao trio elétrico ao lado de parlamentares aliados e ex-membros do seu governo, reiterou que é inocente e que está sendo alvo de um processo “injusto e seletivo”.
“Não lutei por liberdade por quatro anos para agora me calar diante de injustiças. O que está em jogo é o futuro do Brasil”, declarou, sendo aplaudido por uma multidão vestida, em sua maioria, de verde e amarelo.
Apesar da forte presença de apoiadores, o ato foi notadamente menor do que manifestações anteriores lideradas por Bolsonaro na mesma avenida. Ainda assim, analistas enxergam o evento como uma tentativa de reposicionamento político com vistas às eleições de 2026. Mesmo inelegível no momento, Bolsonaro demonstra não ter abandonado o cenário e, ao contrário, articula fortemente nos bastidores.
A manifestação também reacendeu o debate sobre os limites da liberdade de expressão e a relação entre os Poderes. Juristas e lideranças políticas divergiram nas avaliações: enquanto aliados do ex-presidente enxergaram o ato como legítima manifestação política, opositores denunciaram um novo ataque às instituições democráticas.
O STF, por sua vez, manteve silêncio oficial sobre o protesto, enquanto os ministros seguem conduzindo o julgamento que envolve, além de Bolsonaro, outros 33 acusados — incluindo generais, ex-ministros e ex-assessores.
O clima nas ruas e nas redes sugere que a polarização ainda está longe de acabar. Bolsonaro volta à cena com uma estratégia conhecida: mobilização popular, discurso direto e desafio às instituições. A Avenida Paulista, mais uma vez, se transformou em termômetro da temperatura política do país.

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