A quinta-feira (17) começou cedo na vila balneária de Alter do Chão com os rituais que marcam a abertura oficial do Sairé 2026. A programação teve início ainda nas primeiras horas da manhã com a Alvorada na Praça 7 de Setembro, em frente à igreja matriz, onde cantos e orações de intercessão à Santíssima Trindade e a Deus-Pai deram o tom da celebração ancestral.
Após os cantos matutinos, o cortejo percorreu as ruas da vila em visita às residências dos juízes da festa. Ao som de cantos de folia, a comitiva foi recebida pelos moradores com cafés da manhã comunitários, reafirmando o caráter de acolhimento e partilha da festividade.
"Pra mim, o Sairé tem uma importância imensurável. Estou no Sairé há muitos anos, fui mordoma, cozinheira e hoje juíza. Carregamos essa responsabilidade com a Santíssima Trindade, mantendo viva a essência do Sairé", declarou a juíza da festa, Iracilda Lobato.
Busca na Ponta da Gurita e simbolismo ancestral
Composta a Corte no Barracão, a Procissão dos Mastros seguiu em direção à Ponta da Gurita (Praia do Cajueiro), local onde as estruturas de madeira permaneciam guardadas desde o sábado anterior. De lá, o mastro do Juiz foi conduzido de volta por seus mordomos, enquanto o da Juíza seguiu nos ombros de suas mordomas.
Os dois mastros foram ornamentados com folhagens de murta — espécie vegetal que preserva o tom verde sob o calor do sol —, frutas tropicais, a bandeira do Divino Espírito Santo e uma garrafa de cachaça no topo. O mastro do Juiz é dedicado a São José, e o da Juíza, a Nossa Senhora.
O capitão da Corte do Sairé, Carlos Camargo, destacou o vínculo ecológico e espiritual do rito com o território:
"Para nós, do Rito Religioso, os mastros representam a fartura e a partilha. Até mesmo quando escolhemos os mastros, primeiro pedimos permissão dos nossos ancestrais para retirá-los e depois replantamos inúmeras outras árvores, para dar continuidade."
Hasteamento cívico e a disputa da levantação
Antes do momento culminante, as bandeiras oficiais foram hasteadas no espaço cívico na Praça do Sairé, com a presença do prefeito de Santarém, Zé Maria Tapajós, da secretária municipal de Cultura, Priscila Castro, do coordenador do Sairé, Osmar Vieira, e dos primeiro e segundo caciques do povo Borari de Alter do Chão.
A programação culminou com a tradicional disputa festiva na levantação dos mastros: de um lado, o grupo masculino erguendo o mastro do Juiz; do outro, as mulheres erguendo o mastro da Juíza. Fincados no solo da praça, os mastros simbolizam a união entre o sagrado e a terra até o encerramento do festejo.
Programação seguiu a noite
Durante a noite a programação seguiu com os ritos religiosos do Barracão do Sairé, na praça de mesmo nome, além de apresentações culturais na Casa Santarém, no Lago nos Botos e finalizando a programação o cantor Biguinho Sensação fez um show gratuito.
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