A decisão da família, tomada em meio à dor da perda, transformou o luto em um gesto de solidariedade que poderá mudar e salvar vidas. Os órgãos foram encaminhados para a Central Estadual de Transplantes do Pará, responsável por realizar a distribuição para pacientes que aguardam na fila de transplantes.
Segundo o médico Alberto Mariano Gusmão Tolentino, chefe da equipe de Cirurgia Geral e vice-diretor clínico do hospital, a captação representa um avanço importante para a saúde pública da região.
“Ficamos muito felizes em realizar essa primeira captação do ano em nossa cidade. Conseguimos captar dois rins e duas córneas. Isso significa ajudar pessoas que hoje dependem de máquinas de hemodiálise a voltarem a ter qualidade de vida”, destacou o médico.
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Mais de 200 órgãos captados na região
Desde que foi habilitado pelo Ministério da Saúde, em 2012, o hospital já realizou 56 procedimentos de captação, totalizando 201 órgãos captados. Entre eles estão:
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105 rins
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79 córneas
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13 fígados
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4 corações
A unidade conta com o trabalho da OPO Tapajós (Organização de Procura de Órgãos), equipe responsável pela identificação de possíveis doadores, apoio ao diagnóstico de morte encefálica e acolhimento às famílias durante todo o processo.
De acordo com o enfermeiro Fábio dos Santos, que integra a equipe da OPO, a decisão da família é o ponto mais importante de todo o processo.
“Antes de existir o transplante, existe a doação. É quando uma família, mesmo vivendo um momento de profunda dor, decide ajudar outras pessoas. Sabemos que não é fácil, mas é um gesto que salva vidas”, explicou.
Referência em transplantes no interior da Amazônia
Além da captação de órgãos, o hospital também é referência em transplante renal no interior do estado. Desde 2016, já foram realizados 138 transplantes de rim, sendo:
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54 transplantes intervivos, quando o doador é um familiar
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84 transplantes com doadores falecidos
Para o diretor-geral da unidade, Matheus Coutinho, o trabalho realizado pelo hospital demonstra a capacidade da saúde pública na região.
“Temos uma equipe preparada para realizar procedimentos de alta complexidade. Nosso objetivo é ampliar cada vez mais as captações e transplantes, garantindo mais qualidade de vida à população”, afirmou.
Um gesto que salva vidas
O Hospital Regional do Baixo Amazonas Dr. Waldemar Penna atende uma população estimada em 1,4 milhão de pessoas, distribuídas em 29 municípios do oeste do Pará. A unidade integra a rede pública estadual e atua em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará, prestando atendimento de média e alta complexidade.
A história da captação realizada nesta semana reforça uma mensagem importante: a doação de órgãos pode transformar dor em esperança e salvar muitas vidas. No Brasil, porém, mesmo quando alguém manifesta em vida o desejo de ser doador, a decisão final sempre depende da autorização da família.
Por isso, especialistas reforçam a importância de conversar com familiares sobre o desejo de ser doador. Uma decisão tomada em poucos minutos pode significar uma nova chance de vida para várias pessoas.
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