A proposta, formalizada por meio de um Projeto de Lei, parte de um princípio claro — quem comete o crime deve assumir as consequências, inclusive financeiras. Hoje, em muitos casos, o custo do equipamento recai sobre o Estado, ou seja, sobre a própria sociedade, que já sofre os impactos da violência. A medida busca corrigir essa distorção.
Responsabilização que vai além do discurso
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Ao obrigar o agressor a pagar pela tornozeleira, o projeto introduz um elemento de responsabilização prática. Não se trata apenas de punir após o crime, mas de criar um mecanismo contínuo de vigilância e, principalmente, de consequência direta para quem descumpre a lei.
A tornozeleira eletrônica é uma ferramenta estratégica: permite monitorar a distância do agressor em relação à vítima, ajuda no cumprimento de medidas protetivas e pode evitar novas ocorrências. Ao transferir o custo para o infrator, a proposta também amplia a capacidade do Estado de investir em mais monitoramento e proteção.
Proteção real para quem precisa
A iniciativa dialoga diretamente com a realidade de milhares de mulheres que vivem sob ameaça constante. Muitas vezes, a sensação de insegurança permanece mesmo após a denúncia, especialmente quando não há fiscalização efetiva das medidas protetivas.
Com mais recursos disponíveis e um sistema mais eficiente, a tendência é fortalecer a rede de proteção e dar mais tranquilidade às vítimas.
Ponto de atenção: execução e fiscalização
Apesar do impacto positivo, a proposta exige atenção na aplicação. Um dos desafios será garantir que o agressor realmente pague — especialmente em casos de baixa renda. Sem um mecanismo claro de cobrança ou penalidade em caso de inadimplência, a medida pode perder força.
Outro ponto crítico é a estrutura do sistema de monitoramento. Sem investimento paralelo em tecnologia e equipes de fiscalização, o uso da tornozeleira pode se tornar apenas simbólico.
Sinal político claro
A mensagem é estratégica: endurecimento contra a violência doméstica e foco na proteção da mulher. Ao adotar uma postura firme, Hana se posiciona em uma pauta sensível e de alta relevância social, que mobiliza opinião pública e exige respostas concretas.
Mais do que um discurso, a proposta busca transformar indignação em política pública — com responsabilização, prevenção e, principalmente, um recado direto: violência contra a mulher não será tolerada.

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