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Sábado, 30 de Maio 2026
Notícias/Brasil

Congresso articula manobra para ampliar número de deputados após veto de Lula

Proposta inserida como “jabuti” na LDO de 2025 abre brecha para aumento de cadeiras na Câmara, mesmo após o presidente ter barrado projeto semelhante

Congresso articula manobra para ampliar número de deputados após veto de Lula
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Brasília — O Congresso Nacional se prepara para votar, nesta quinta-feira (30), uma proposta que pode reabrir o caminho para o aumento do número de deputados federais na Câmara, mesmo após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetar uma iniciativa semelhante no início do segundo semestre.

O dispositivo foi incluído como um “jabuti” — termo usado para designar trechos sem relação direta com o tema principal de um projeto — na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2025, durante a tramitação na Comissão Mista de Orçamento (CMO). A medida autoriza a criação de novos cargos de deputados federais no Orçamento e permite que os custos com a expansão não apareçam de forma explícita na peça orçamentária.

A relatora da LDO, senadora Dorinha Seabra (União-TO), havia se posicionado contra a inclusão do dispositivo, mas acabou cedendo à pressão de líderes partidários no Congresso. Até o momento, Dorinha não se manifestou publicamente sobre o assunto.

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O movimento ocorre enquanto o veto de Lula ao projeto que aumentava o número de deputados de 513 para 531 ainda não foi apreciado pelo Congresso. O Palácio do Planalto, sob orientação do ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, vetou a proposta em julho, buscando reforçar a imagem de independência em relação ao Legislativo.

Para que o veto seja derrubado, são necessários 41 votos no Senado e 257 na Câmara dos Deputados — uma margem considerada apertada pelos próprios aliados do governo.

Durante debate no Senado, o senador Oriovisto Guimarães (PSDB-PR) criticou a manobra:

“Se nós aprovarmos essa LDO amanhã, estaremos autorizando o aumento do número de deputados, que passaria de 513 para 531. Esse assunto já foi discutido, o Supremo deu parecer contrário. Agora estão fazendo essa alteração num tema que não tem nada a ver com a LDO”, afirmou.

A proposta original para ampliar o número de cadeiras foi votada em junho deste ano, sob articulação do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). O objetivo era contornar uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a redistribuição das vagas entre os Estados de acordo com os dados do Censo de 2022.

Pela decisão do STF, bancadas de Estados como o Rio de Janeiro perderiam até quatro cadeiras, enquanto outros, como Santa Catarina, ganhariam o mesmo número de assentos. Para evitar conflitos regionais e descontentamento político, o Congresso buscou uma “solução intermediária” — o aumento do total de cadeiras — agora tentado novamente, de forma indireta, por meio da LDO.

Se aprovado, o dispositivo poderá reabrir o debate sobre o tamanho da Câmara e os impactos orçamentários e políticos de uma possível ampliação, reacendendo tensões entre o Executivo, o Legislativo e o Judiciário.

Ivan Leão

Publicado por:

Ivan Leão

Redação do Pará Política.

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