O Governo do Estado do Pará decretou luto oficial de três dias, a partir desta terça-feira (26), em razão da morte de Mestre Damasceno, símbolo da cultura marajoara. O artista foi homenageado este ano na 28ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes e condecorado com a Ordem do Mérito Cultural, uma das maiores honrarias concedidas pelo Ministério da Cultura.
“É com grande tristeza que recebemos a notícia da morte do querido Mestre Damasceno. Foi uma honra homenageá-lo em vida na Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes deste ano. Seu legado na cultura paraense é imensurável e seguirá tocando gerações. Meus sentimentos aos fãs, amigos e familiares. Que Deus os conforte neste momento de dor”, declarou o governador ao assinar o decreto.
Mestre Damasceno faleceu aos 71 anos nesta terça-feira (26), data em que se celebra o Dia Municipal do Carimbó. Natural da Comunidade Quilombola do Salvá, em Salvaterra, no arquipélago do Marajó, Damasceno vinha lutando contra um câncer em estágio avançado, diagnosticado com metástase no pulmão, fígado e rins. Estava internado desde junho em Belém.
Legado cultural

Damasceno Gregório dos Santos, conhecido como Mestre Damasceno, foi um dos grandes representantes da cultura popular paraense. Cantor, compositor e poeta, construiu uma trajetória marcada pela valorização do carimbó, das toadas e da tradição oral do Marajó. Sua vida e obra foram registradas no livro “Mestre Damasceno e as Cantorias do Marajó”, lançado durante a Feira Pan-Amazônica deste ano, voltado ao público infantojuvenil.
Além do carimbó, Damasceno também era autor de sambas. Em 2025, celebrou uma das conquistas mais marcantes de sua carreira: a vitória da escola de samba paraense Deixa Falar no concurso de Samba-Enredo da Grande Rio, com a obra “A mina é cocoriô!”, criada em parceria com outros músicos. O enredo vencedor, intitulado “Pororocas Parawaras: As Águas dos Meus Encantos nas Contas dos Curimbós”, marcou a presença da cultura paraense no carnaval brasileiro.
Mestre Damasceno deixa um legado que ecoa além do Marajó, reafirmando sua importância como guardião das tradições e voz da identidade cultural do Pará.
