Aguarde, carregando...

Sábado, 18 de Julho 2026
Notícias/Brasil

Jaques Wagner tentou vender terreno de R$ 15 milhões um dia após ser alvo da PF, mas cartório barrou.

O senador petista Jaques Wagner (BA) tentou efetuar a venda de um terreno por R$ 15,8 milhões um dia depois de ter sido alvo de operação da Polícia Federal por suspeita de recebimento de propina do Banco Master.

Jaques Wagner tentou vender terreno de R$ 15 milhões um dia após ser alvo da PF, mas cartório barrou.
IMPRIMIR
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

A transmissão de propriedade, porém, foi barrada pelo cartório de registro de imóveis, que recebeu uma ordem de bloqueio de bens assinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça.

Brasil
Brasil



Procurado, o senador disse, por meio de sua defesa, não haver irregularidades, mas não explicou os detalhes do negócio. “A defesa do senador Jaques Wagner esclarece que ele não se manifestará sobre condutas que não sejam sobre sua campanha eleitoral. Todos os demais assuntos estão e continuarão sendo tratados judicialmente. Todos os fatos apurados são públicos e com registros públicos. Não há mínima irregularidade e nem nada a esconder”, afirmou o advogado Pablo Domingues.

Leia Também:

Wagner também havia acertado a venda de um segundo imóvel por R$ 10 milhões, o apartamento dele em Salvador, em transação protocolada em cartório uma semana antes da operação da PF. Com a ordem de André Mendonça, o negócio também foi bloqueado e a transmissão de propriedade na matrícula do imóvel não foi autorizada pelo cartório.

Mesmo com a ordem de indisponibilidade dos imóveis, Wagner já recebeu ao menos R$ 12 milhões pelos negócios. Ele deixou o posto de líder do governo Lula no Senado após a operação da PF, por pressão do Palácio do Planalto, e atualmente é pré-candidato à reeleição para o cargo de senador.

O Estadão obteve cópia da documentação com detalhes desses negócios, registradas em cartórios da Bahia. A PF cumpriu busca e apreensão contra o senador na nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 18 de junho. Um dia depois, em 19 de junho de 2026, o senador protocolou no 1.º Ofício de Registro de Imóveis de Camaçari um contrato de compra e venda de um terreno de 51 mil m², que ele havia comprado no ano 2000.

“Em cumprimento ao protocolo nº (.), expedido pelo ministro André Luiz de Almeida Mendonça, fica averbada nesta data a indisponibilidade sobre o imóvel objeto da matrícula supra, de propriedade de Jaques Wagner”, registrou o cartório.

A área pertencente ao senador está localizada na Região Metropolitana de Salvador e foi vendida a uma empresa que tem como sócio o Grupo City, dono da SAF que comanda atualmente o Esporte Clube Bahia, em conjunto com empresas do ramo imobiliário. A previsão é que o terreno faça parte de um empreendimento imobiliário que vai funcionar em anexo a um novo centro de treinamento do clube.

Questionada sobre a transação, a diretoria de comunicação do Bahia afirmou que foram comprados terrenos de cinco proprietários diferentes na região, com critérios de mercado, e que o de Jaques Wagner correspondia a 4% do total. Disse ainda que o bloqueio não vai prejudicar a construção do empreendimento.

A investigação da Polícia Federal apura suspeitas de que Wagner solicitou ao então sócio do Banco Master, Augusto Lima, a compra de um apartamento de luxo de R$ 2,5 milhões em Salvador, que seria destinado à sua filha. O imóvel efetivamente foi comprado por uma empresa em nome de laranja, com recursos enviados pela corretora Reag, suspeita de participar em conjunto dos crimes financeiros do Banco Master.

Petista solicitou R$ 2 milhões e lotes de empreendimento
Antes de protocolar o pedido de compra e venda do terreno no 1.º Ofício de Registro de Imóveis de Camaçari, Jaques Wagner assinou uma escritura com a empresa compradora acertando detalhes da forma de pagamento, em 18 de maio de 2026. Primeiro, ele iria receber R$ 15,8 milhões com uma nota promissória que venceria em 2029. Pouco depois, decidiu mudar a forma do recebimento. Solicitou o pagamento à vista de R$ 2 milhões, já quitado, e outros R$ 13,8 milhões por meio de lotes de 5.510 m² do empreendimento imobiliário a ser construído.

Em 18 de junho, porém, Wagner foi alvo da operação da Polícia Federal. No dia seguinte, 19 de junho, a escritura de venda do imóvel foi apresentada ao 1.º Ofício de Registro de Imóveis de Camaçari, com o objetivo de efetivar a venda e transmitir a propriedade dele à empresa. Foi nesse momento, então, que o cartório bloqueou a transação, seguindo a determinação do ministro André Mendonça. Com isso, a propriedade do terreno não pode ser transferida para a compradora e, na prática, a venda não se concretiza.

De acordo com um corretor de imóveis da região, há um aumento nos preços no local por causa de uma futura expansão imobiliária, mas um terreno nas mesmas condições do de Jaques Wagner valeria entre R$ 9,5 milhões e R$ 12 milhões. Ele foi adquirido no ano 2000 por apenas R$ 28 mil.

Dias antes da operação da PF, Wagner realizou outra transação imobiliária. Acertou a venda do apartamento onde ele morava em Salvador, no Corredor da Vitória, região de prédios luxuosos com vista para o mar. O apartamento de quatro suítes e 152 m² foi vendido por R$ 10 milhões a um político do União Brasil, legenda adversária do PT. Trata-se do prefeito de Conceição do Coité, Marcelo Passos de Araújo. O valor já foi integralmente quitado.

Essa venda foi protocolada no cartório do 1.º Ofício de Registro de Imóveis de Salvador em 10 de junho. O cartório estava providenciado os trâmites para a transferência de propriedade, mas recebeu a ordem de bloqueio de bens do STF pouco tempo depois. Por isso, antes que o negócio fosse concretizado, também foi realizado o bloqueio.

Procurado, Araújo afirmou que a compra do imóvel estava pactuada desde o ano passado e que a última parcela do pagamento foi quitada em abril. Ele disse que apresentou uma petição ao cartório solicitando que a transferência da propriedade fosse efetivada para seu nome porque o negócio é anterior à ordem de bloqueio de bens. Afirmou que também enviou uma manifestação ao ministro André Mendonça com os comprovantes dos pagamentos e relatando ter agido de boa-fé no negócio, solicitando o desbloqueio para a concretização da transmissão de propriedade.

“Tenho um nome a zelar e nunca estive envolvido em nenhuma irregularidade. Essa transação foi feita dentro da mais absoluta legalidade e os documentos comprovam isso. O contrato de compra e venda data de dezembro de 2025, todos os pagamentos foram feitos diretamente na conta de Jacques Wagner até meados de abril e a escritura foi lavrada em maio. Em 10 de junho demos entrada para registro, portanto, antes da deflagração da operação. Infelizmente, acabei figurando nessa história como terceiro de boa fé”, afirmou

Esse texto foi copiado do Blog do Gustavo Negreiros. Para ter acesso completo a matéria acesse gustavonegreiros.com.br

Comentários

O autor do comentário é o único responsável pelo conteúdo publicado, inclusive nas esferas civil e penal. Este site não se responsabiliza pelas opiniões de terceiros. Ao comentar, você concorda com os Termos de Uso e Privacidade.
Ivan Leão

Publicado por:

Ivan Leão

Redação do Pará Política.

Saiba Mais

Não possui uma conta?

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!
WhatsApp Pará Política
Envie sua mensagem com sugestão de reportagem e denúncias; )
Termos de Uso e Privacidade
Esse site utiliza cookies para melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar o acesso, entendemos que você concorda com nossos Termos de Uso e Privacidade.
Para mais informações, ACESSE NOSSOS TERMOS CLICANDO AQUI
PROSSEGUIR