Projeções indicam que a nova federação poderá controlar cerca de 19,22% de todo o fundo eleitoral, o equivalente a R$ 953,6 milhões, tornando-se a força partidária com maior poder financeiro do país.

O estudo foi elaborado pelos cientistas políticos Henrique Cardoso Oliveira e Jaime Matos, da Fundação 1º de Maio, após a sanção do Orçamento de 2026 pelo presidente Lula, que fixou o valor total do fundo em R$ 4,9 bilhões. O cálculo considera a soma das bancadas, desempenho eleitoral e critérios definidos pela legislação vigente.
Concentração de recursos e impacto direto nas campanhas
Com a oficialização da federação pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), PP e União Brasil devem ultrapassar partidos tradicionais, como PL e PT, no acesso a recursos públicos para financiamento de campanhas. O PL aparece logo atrás, com R$ 886,7 milhões (17,87%), enquanto a federação liderada pelo PT (PT + PCdoB + PV) ficaria com R$ 720,7 milhões (14,53%).
Na prática, isso significa mais poder de fogo eleitoral, maior capacidade de contratação de equipes, produção de conteúdo, estratégias digitais, estrutura de rua e influência direta nas disputas majoritárias e proporcionais em todo o país.
Um novo eixo de poder político
Especialistas avaliam que a megafederação cria um novo eixo de poder político-eleitoral, capaz de influenciar alianças estaduais, definir candidaturas prioritárias e pressionar adversários com menor acesso a recursos. Estados estratégicos, como Pará, Bahia, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, devem sentir os efeitos dessa concentração de verba de forma intensa.
Partidos médios, como PSD (R$ 420,8 milhões), MDB (R$ 404,4 milhões) e Republicanos (R$ 343,7 milhões), permanecem competitivos, mas passam a disputar espaço em um tabuleiro cada vez mais desigual. Já legendas menores ficam restritas a percentuais simbólicos do fundo, muitas com menos de 1% do total.
Debate sobre democracia e equilíbrio eleitoral
A concentração de quase um quinto de todo o Fundo Eleitoral em uma única federação reacende o debate sobre o equilíbrio do sistema político brasileiro. Críticos apontam risco de assimetria democrática, enquanto defensores argumentam que o modelo reflete a força parlamentar e a escolha do eleitor nas últimas eleições.
Fato é que, com quase R$ 1 bilhão em caixa, PP e União Brasil entram em 2026 como protagonistas incontestáveis, capazes de influenciar não apenas resultados eleitorais, mas também o ritmo e o tom da disputa política nacional.
O jogo começou — e o dinheiro, mais uma vez, fala alto.
