A história de Maria Virgínia é marcada por luta e superação. Nascida no dia 1º de maio deste ano, com apenas 588 gramas, fruto de uma cesariana de urgência devido à pressão alta da mãe, Marina Chaves, a pequena foi considerada uma prematura extrema. Faltando ainda 10 semanas para o tempo ideal de gestação, ela precisou ser levada imediatamente para a UTI Neonatal da Santa Casa do Pará.
Foram mais de dois meses de internação intensiva, seguidos por mais de 20 dias na Unidade de Cuidados Intermediários – incluindo seis dias na Unidade Canguru. Nesse período, Maria Virgínia recebeu toda a assistência preconizada pelo Método Canguru, modelo de atenção humanizada voltado a recém-nascidos de baixo peso e suas famílias.
“Desde a UTI, as enfermeiras já me ensinavam como eu tinha que cuidar dela. Agora, me sinto muito feliz porque estamos indo embora e ela já está mamando”, relatou emocionada a mãe, Marina.
O Método Canguru tem como pilares o contato pele a pele precoce e prolongado, o apoio ao aleitamento materno, o acolhimento da família e a individualização dos cuidados. Essas práticas contribuem para a estabilidade clínica e o desenvolvimento físico e emocional do bebê e da família.
A neonatologista Roseana Sovano, que acompanhou parte da evolução da pequena, destacou a importância da vitória alcançada. “Dar alta para um bebê com as características da Maria Virgínia é realmente uma grande vitória. A prematuridade extrema e o extremo baixo peso trazem um prognóstico muito difícil, mas conseguimos ultrapassar as barreiras. É uma conquista de toda a equipe”, afirmou.
Segundo a médica, cada cuidado visa simular, fora do útero, as condições que o bebê teria se continuasse seu desenvolvimento dentro da mãe. “É um corpinho que vem para cá antes do tempo, com pulmões, coração, cérebro e intestino imaturos. Nosso trabalho é tentar reproduzir esse ambiente e quando conseguimos, é realmente uma grande vitória”, ressaltou.
Somente até junho deste ano, a Unidade de Cuidados Intermediários Canguru da Santa Casa já havia registrado 300 internações de recém-nascidos com baixo peso, reforçando a importância desse modelo de cuidado para salvar vidas como a de Maria Virgínia.
