O Pará consolida cada vez mais sua posição de destaque no cenário da cacauicultura mundial. Atualmente, o Estado é o maior produtor de cacau do Brasil e apresenta a maior produtividade do planeta, superando países que historicamente dominaram esse setor. Para ampliar ainda mais esse protagonismo e garantir qualidade em todas as etapas da cadeia produtiva, foi lançado em agosto o “Guia de Qualidade do Cacau paraense”, desenvolvido pelo Centro de Valorização de Compostos Bioativos da Amazônia (CVACBA), laboratório da Universidade Federal do Pará (UFPA) localizado no Parque de Ciência e Tecnologia (PCT) Guamá, em Belém.
O material reúne orientações práticas e científicas voltadas para agricultores, cooperativas e indústrias, com o objetivo de elevar o padrão da produção, abrir novas oportunidades de mercado e reforçar o valor do cacau amazônico.
O que traz o Guia de Qualidade
O documento detalha desde o momento ideal da colheita até o armazenamento das amêndoas, passando por temas como:
- transporte das amêndoas frescas;
- métodos de fermentação e secagem;
- classificação oficial e critérios de qualidade;
- técnicas de manejo no campo, combate a pragas e doenças;
- rastreabilidade e uso de tecnologias para padronizar a produção.
De acordo com o professor Jesus Silva, coordenador do CVACBA, o guia reflete mais de uma década de pesquisas sobre o cacau amazônico. O foco principal é preservar os compostos bioativos do fruto, responsáveis por benefícios à saúde e diferenciais sensoriais, além de estimular práticas sustentáveis e valorizar o produtor local.
Resultados práticos e oportunidades
A pesquisadora Giulia Lima, doutora em Biotecnologia, explica que o material integra fundamentos teóricos e resultados de análises feitas com amostras de cacau comercializadas no Pará. Esses dados permitem identificar características de interesse para diferentes mercados: amêndoas bem fermentadas, por exemplo, são essenciais para chocolates finos, enquanto aquelas com alto teor de gordura têm maior valor para a indústria de manteiga de cacau.
Essa diversidade de perfis amplia as possibilidades de comercialização, fortalece a competitividade internacional e evidencia o potencial único do cacau cultivado no Estado.
Diferenciais do cacau paraense
O cacau do Pará se destaca mundialmente não apenas pelo volume de produção, mas também pela sua diversidade genética e riqueza sensorial. As amêndoas cultivadas em várzeas amazônicas, ambiente exclusivo do Estado, desenvolvem aromas e sabores diferenciados, resultado da interação do cacaueiro com outras espécies da floresta. Esse fator confere ao produto uma identidade singular e muito valorizada no mercado global.
Inovação tecnológica como motor do desenvolvimento
Além do fortalecimento da produção agrícola, a inovação tecnológica é apontada como essencial para o futuro da cadeia do cacau no Pará. No CVACBA, pesquisas aplicadas vêm desenvolvendo metodologias modernas para preservar compostos bioativos e ampliar o uso do fruto em novos produtos desde chocolates funcionais e premium até bebidas e ingredientes voltados à saúde.
Segundo o professor Jesus Silva, esse processo agrega valor, aumenta a renda de agricultores familiares e cooperativas e consolida o cacau amazônico como vetor de desenvolvimento sustentável e de destaque internacional.
