A fidelidade política na reta final de uma campanha provou ser, mais uma vez, um artigo raro e altamente negociável. A vereadora Odinélia Peres movimentou os bastidores ao protagonizar uma "troca de par" de última hora: sem qualquer cerimônia, a parlamentar abandonou seu antigo aliado e surgiu nas redes sociais de braços dados com um novo padrinho político.
Até a véspera, Odinélia jurava lealdade e dividia palanque com o candidato a deputado estadual Dr. Wanderlan, nome vindo da capital do Estado. No entanto, o encanto durou até o momento em que outra proposta balançou as estruturas. Nas últimas horas, a vereadora apagou as juras anteriores e assumiu publicamente o apoio ao ex-prefeito de Itaituba, Wálmir Clímaco — conhecido na região como o "Homem do Ouro" ou "Homem da Proa".
Coincidência com a letra 'W' ou peso no bolso?
Nos corredores da política, a ironia pronta é que a vereadora parece ter uma atração irresistível por candidatos cujos nomes comecem com a letra "W". Mas, para quem conhece a engrenagem do meio, a predileção não é por consoantes, e sim por infraestrutura de campanha: o peso financeiro e a estrutura garantida por Clímaco foram apontados como os reais fatores de desempate para a repentina mudança de lado.
A lição da confiança ingênua
O desembarque surpresa de Odinélia deixou um rastro de insatisfação no grupo do Dr. Wanderlan e serviu como um amargo lembrete para os articuladores que ainda confiam cegamente na palavra de vereadores às vésperas de ir às urnas.
Enquanto Wálmir Clímaco contabiliza mais um apoio de peso no varejo local e a vereadora garante fôlego extra para a reta final, o episódio entra para a galeria como mais um clássico capítulo de pragmatismo — e deboche — da política paraense.
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